Tenho frio
Amanheceu,
como tantos outros dias, amanheceu,
abri a janela da existência
e senti frio, muito frio,
caíam fiapos de neve,
em cada um via explanada as provações,
o desamor que o tempo me lançou,
frio gélido, sacudindo meu corpo
na hipotermia a que a vida me ditou.
Foi em reflexão que desci
pelos degraus do tempo
vasculhando as desditas acumuladas
ano após anos, dia após dia,
pouco mais encontrei
que memórias cobertas de bolor,
e assim continuei na descida voluntária,
procurando …
o unir do amor harmónico do meu nascimento
ao amor incondicional do abraço de uma mãe,
mas só encontrei os acordes nostálgicos
de um piano desafinado.
Assim vivo na procura da música das esferas
nos pequenos prenúncios do raiar do sol,
algumas vezes o encontrei e brilhou,
brilhou para mim
na forma mais esplendorosa do meu ser
quando me foi concedido o privilégio
de ter duas crias e as poder lamber.
Vou fechar a janela,
o passado mora lá, onde não pode ser alterado,
o futuro mora lá, onde não pode ser tocado,
o presente mora cá,
Entre farrapos de neve e o raiar da aurora.
Poema e fotos de Luna