Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010




Teço labirintos
calcorreando armadilhas mentais
sinto-me um holograma
um registo Akashico
uma ponte entre dimensões
do Ser e do sentir
poste e fotos Luna

Sábado, 27 de Novembro de 2010



Nem que seja um momento
uma experiência na existência,
nem que seja um encontro no desencontro,
entre a letra e melodia
nesta canção que nem sei trautear,
nem que seja uma pequena viagem,
uma travessia ou passagem,
neste comboio da vida que fui apanhar,
nem que seja uma mescla triunfante do Divino
tendo como desfecho final
o canto do cisne, a derrota final,
Ainda assim, valeu a pena ter nascido.
Poema e fotos Luna

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010




Resisto às palavras
que dilaceram a mente,
mas sinto o sangue escorrer
no ocaso da calçada,
entre abrolhos e giestas
corro descalça
e fujo das sombras
zarpando de mim,
entre sons inaudíveis
penetro no mato
enleada em folhas esmaltadas
e medos molhados,
escorre-me pela face
o orvalho irreflexivo
reflexo do meu lago interior.

 poema e fotos-luna

Segunda-feira, 22 de Novembro de 2010



Acabei de ver  a entrevista feita pela Judite de Sousa ao Francisco Guerra, um dos jovens abusados sexualmente na casa Pia, o mesmo vai editar um livro de seu nome “dor silenciosa”, um jovem sofrido, perseguido pela vida e os próprios fantasmas.
Fantasmas que jamais o tempo pode apagar a todas as crianças que já passaram pelo mesmo sofrimento, crianças que sofrem caladas, pois esses seres ignóbeis, usam a violência física e psíquica para controlarem as palavras que podem sair da boca desses pequenos seres assustados, é sim uma dor silenciosa, que destrói, uma dor suja que a água não lava, um cancro que corrói os sentimentos a vontade de ser igual a outro qualquer ser, e essas crianças acabam por crescer, revoltadas, sentindo-se impuras, quantas vezes esses marginais incutem nos pequenos que eles são maus, são os culpados do que esta a acontecer, e o tempo vai passando a vida pode tomar vários caminhos, mas a dor, as memórias mesmo a dormir elas acabam por voltar independentemente da idade.

poste e fotos - Luna

Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010




"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na 
intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".

(Fernando Pessoa)

Como um pôr-do-sol a vida é breve, como um pôr-do-sol tudo se desvanece, ainda assim as lembranças ficam tatuadas no fundo da alma,
porque nada acontece ao acaso, tudo tem um propósito, por vezes levamos uma vida para o entender outras nem chegamos a compreender.

poste e fotos-Luna

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010





Tenho frio

Amanheceu,
como tantos outros dias, amanheceu,
abri a janela da existência
e senti frio, muito frio,
caíam fiapos de neve,
em cada um via explanada as provações,
 o desamor que o tempo me lançou,
frio gélido, sacudindo meu corpo
na hipotermia a que a vida me ditou.
Foi em reflexão que desci
pelos degraus do tempo
vasculhando as desditas acumuladas
ano após anos, dia após dia,
pouco mais encontrei
que memórias cobertas de bolor,
e assim continuei na descida voluntária,
procurando …
 o unir do amor harmónico do meu nascimento
ao amor incondicional do abraço de uma mãe,
mas só encontrei os acordes nostálgicos
de um piano desafinado.
Assim vivo na procura da música das esferas
nos pequenos prenúncios do raiar do sol,
algumas vezes o encontrei e brilhou,
brilhou para mim
na forma mais esplendorosa do meu ser
quando me foi concedido o privilégio
de ter duas crias e as poder lamber.
Vou fechar a janela,
o passado mora lá, onde não pode ser alterado,
o futuro mora lá, onde não pode ser tocado,
o presente mora cá,
Entre farrapos de neve e o raiar da aurora.

Poema e fotos de Luna

Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010




Olhando estas ruínas, veio-me á ideia os destroços de certas vidas, jovens, menos jovens, que se deixam seduzir pelos vários tipos de drogas que fragmentam a sua existência. Cada um de nós tem a sua própria concepção sobre as drogas quem as utiliza ou porque fica delas dependente, por isso não vou divagar sobre este assunto, mas… à uns anos no Porto vi uma mulher sentada num passeio, um ser perdido da vida, perdida dela própria, não a conhecia nem nunca mais a vi, mas o seu olhar errante, esgotado, como estando a viver no inferno e aceite que já nada mais existia senão deixar passar o tempo sem nada esperar, nada pediu e nada aceitou, mas este olhar ainda hoje me persegue, como podemos plantar flores no meio das ruínas se elas não deixarem as sementes pegarem.

Poste e fotos- Luna 

Domingo, 14 de Novembro de 2010


Foi voando que a minha águia me trouxe o bilhete para a inauguração da nova imagem da casa do Benfica.



a casa estava cheia, impossível entrar mas…


como podia perder este momento de cumplicidade.



este jovem francês filho de Nazareno por coincidência almoçou na minha mesa e descobri que iria correr na maratona da Nazaré no dia seguinte.


- um casal amigo num momento de brincadeira com a fotógrafa .


 Vitória ao almoço, expectante qual seria o primeiro prato e como pegar nos talheres



Luís Filipe Vieira, quando foi cumprimentar a nossa mesa, o que alias o fez por todas as mesas da sala.



a nossa mesa no restaurante s: Miguel com uma fantástica vista para o mar.



dois benfiquistas directamente da França o da esquerda é mesmo francês o da direita Nazareno e vieram fazer a maratona 2010 da Nazaré 


no dia seguinte foi a maratona





como se vê pelo sorriso o atletismo só faz bem


Sábado, 13 de Novembro de 2010




Neste contorcionismo
de nome existência
tenho como refúgio uma alma inquieta
e vou enrolando desígnios
qual concha esquecida no mar,
ateando a luz das emoções
arranco as mascaras de dor
ao passado, presente…
e invado o mundo dos sonhos
nos horizontes ornados de luz
Poema e fotos -Luna

Quarta-feira, 10 de Novembro de 2010

Obrigada a todos pela preocupação
estou bem e todos os que conheço
algumas lojas com vidros partidos pela força da àgua

alguns incautos molhados


Entre a beleza da contemplação
tenho a visão do mar ensandecido,
olvidando fronteiras
e na sua grotesca cólera
inunda os lares de lágrimas
tatuado nos corações
o desgosto da perda
o absinto das famílias mutiladas

Poema e fotos- Luna

Terça-feira, 9 de Novembro de 2010





O sol atravessa a escuridão
sedutoramente eclipsa-se nas nuvens,
Deixei meu leve pensamento
Enroscar-se nos meus olhos
Como um abrigo, um aconchego,
E rendo-me a ti,
és um sonho, por seres intocável,
e como um sonho vou-te sempre sonhar,
Não quero como Ícaro voar até ti
E minhas frágeis asas de cera poder queimar

Poema e fotos -Luna


Sábado, 6 de Novembro de 2010





Há escadas em mim
que subo e teimo em descer
na inconsciência em que vivo,
mas hoje parei , sentei-me,
tecendo fios de sol,
fiando seda de luz,
sentindo no ar
 a seiva de amor cor de mel
Que se vai derretendo
num pôr de sol
 invadindo meu coração
perene de placidez

poema e fotos de Luna


Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010






Há nostalgia nas assimetrias do pensamento, nas insanas revoltas caladas na garganta, há nostalgia na procura do íntimo entre passos incomuns transubstanciados em quimeras, ocultando dos demais as saudades as dores o torpor do vazio, entram nas portas do mistério e de sombra amarrotada, cabisbaixos, procuram nas colunas dos templos as respostas pintadas esculpidas no sentimento de fé.

Poste e fotos -Luna

Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010





Sakineh Ashtiani

São lindos os locais de culto, seja qual for a religião, mas o que nos leva a pegar em um livro sagrado e em nome de Deus tirarmos a vida a um ser humano de forma tão desumana,  esta mulher  de seu nome Sakineh Ashtiani errou  pois é acusada de adultério e cumplicidade de assassinato de seu marido, mas quem somos nós para tirar-mos a vida a outro ser por apedrejamento ou outra qualquer forma, onde estão os direitos humanos tão apregoados, estamos no século XXI mas ainda agimos como bárbaros, que Deus tenha piedade dela e de tantas outras mulheres que perecem diariamente ás mãos de quem pensa ser justo.

Poste e fotos- Luna

Segunda-feira, 1 de Novembro de 2010




O homem é o único animal que não aprende nada sem ser ensinado: não sabe falar, nem caminhar, nem comer, enfim, não sabe fazer nada no estado natural, a não ser chorar 


Fonte: "História Natural" 
Autor: Plinio


Isto leva-me a questionar que tipo de ensinamentos vamos assimilando, ensinando, acumulando ao longo dos tempos, muitos somos pessoas com estudos, faculdades feitas e como actuamos com esses conhecimentos, sentirmo-nos importantes, queremos ser lideres, será que tem algo de mal? Talvez não, quando alem do conhecimento adquirimos sabedoria, quando sabemos equilibrar os pratos da balança, muitas vezes quando estamos no topo para não termos vertigens não olhamos para baixo e isso leva-nos a não olhar para quem está em baixo e a pensar só em nós, na nossa segurança nos nossos interesses fechando os olhos para quem nos rodeia, construímos jardins de pedra para quem morre e jardins de pedra para os vivos com os sentimentos inferiores, na verdade cada Ser sente que está no caminho certo que age correctamente que o mal não esta nele  mas nos outros, todos pensamos assim, mas se assim fosse este mundo seria um paraíso pois todos nós partilhamos o sentimento de sermos pessoas de bem, mas… basta olhar para o mundo para ver o que somos na verdade, o mundo é feito de pessoas então esse mundo retracta na perfeição o tipo dos seus habitantes,  vemos á nossa volta intolerância , incompreensão, maldade, raivas e tanto mais que leva a tornar as nossas vidas e das dos demais impossíveis e em mais alta escala a mortes a guerras, enfim à dor , será que quando nascemos choramos por pressentir nos seres que nos vamos tornar?

Poste e fotos Luna