Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010








Sinto-me presa
na arvore sefirotica do tempo,
amarras existenciais
como estacas de espinhos aguçadas
que penetram na pele, perfuram a carne,
qual toro ensanguentado na arena
que investe  no nada,
assim sinto que sou.
São as masmorras da vida,
grilhetas presas nos pés descalços
que não deixam caminhar,
choupana mal erigida
que não  deixa sonhar,
sou acolito de mim
mancha que a  vida lançou
e o tempo moldou  

poema e fotos-Luna

Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010





Contemplando o mar
observo a vida passar
intermitente, desconexa,
inquieta como  vagas
de purpurina pintadas,
que num lamento
soltam um  bramido de dor
e são torturadas, trucidadas,
contra as rochas sinuosas,
penetradas e transformadas
em pedaços de nada,
somos como a lua do tempo, sol do vento,
sereias descalças
que o tempo calçou,
pedaços do mundo
cardume, bola de fogo,
que o tempo apagou,
mas emerge do nosso coração o amor
que fica a  instantes de um abraço
de um afecto, de um simples apertar a mão,
e a noite cai, o sol renasce,
as vagas retornam, a acalmia acontece,
 tudo se renova
só nós vamos passando.


Poema e fotos Luna

Sexta-feira, 24 de Setembro de 2010






Blogagem colectiva : dedique uma canção a que você ama


Somos nós quem escolhemos quem amamos, mas… o amor também nos escolhe a nós, essa dádiva pode estar em qualquer ser, humano, animal até mesmo vegetal, onde os elementais da natureza vivem.
Fazendo parte desta blogagem colectiva dedico esta canção de Wanessa Camargo  “ tanta saudade” á minha gatinha Diana que partiu ontem e deixou um vazio muito grande dentro de mim, estava muito doentinha e os seus 14 anos já pesavam ,existem doenças que por mais que tentemos tanto nos humanos como nos animais minam e trazem muito sofrimento, sou contra a eutanásia mas era a única forma de a poupar do padecimento,  doce a minha menina só olhava para mim , ela sabia que o momento estava perto os seus olhos o diziam, partilhamos muitos anos ela era doce mas não suportava me ouvir cantar miava e se não me calava ela arranhava-me , se por algum motivo não me levantava á mesma hora pela manhã ela acordava-me puxando os meus cabelos com os dentes, gostava de se deitar na minha cama e adormecer no meu braço, ensinou-me que somos muito iguais, pois gostamos de carinho mas de ter a nossa privacidade e necessitamos de estar em alguns momentos sozinhos, jamais o seu lugar será preenchido pois cada amor é um amor, a minha menina foi de encontro á luz para onde vão as almas suaves e sem negatividade assim o acredito, quem sofre é quem fica pelos apegos que temos e que eu tanto batalho para os moldar, mas quando chega a hora da verdade vejo como sou fraca, que  não me consigo distanciar, e a tonta da lágrima rola sem que eu a consiga reprimir, podem dizer que era só um gato que não era um ser humano mas como eu digo no princípio, nós escolhemos quem amamos e o amor também nos escolhe a nós .

poste e fotos- luna





Terça-feira, 21 de Setembro de 2010






MARIPOSA
Entre o crivado arvoredo
E os acúleos pungidos no tempo
Edifico minha morada,
Deixo penetrar nos recifes do pensamento
quimeras, passadiços andantes,
como penumbras em lagos parados,
e ressoa na memória águas turvas,
 folhagens rasgadas, tinta derramada
em papiros jamais escritos.
Quero acreditar
Na leveza da vida, brisa de folhagem ao vento,
escuto…o diáfano murmúrio
do bater  singelo das asas de uma mariposa,
e assim, imagino   a vida
no casulo que atravessamos, desviando-nos ,
escolhendo caminhos nas encruzilhadas,
que nos levem de volta
á beleza do ventre materno
á pureza de quando éramos anjos

poema e fotos -Luna


Domingo, 19 de Setembro de 2010



O TEMPO


O tempo é muito lento para os que esperam...
Muito rápido para os que tem medo.
Muito longo para os que se lamentam.
Muito curto para os que festejam.
Mas para os que amam, o tempo é uma eternidade...

(SHAKESPEARE)



Tudo tem um tempo
O seu tempo próprio de maturação
Mas nós queremo-lo curto, sempre muito rápido,
E não deixamos que a natureza faça o seu percurso natural,
Desafiamos o tempo inventando armadilhas tecnológicas e
Corrompemos animais, vegetais, as nossas próprias vidas,
Lutando inconsequentemente contra o natural, contra o tempo.
E pelejamos contra o amor quando plantamos a desordem dentro e fora de nós quando estigmatizamos a ordem natural da vida, quando nos esquecemos que o amor não tem tempo ele vive no universo e jamais acaba, somos nós que vamos passando e mesmo fazendo mutações não podemos parar o tempo.

Poste e fotos -Luna


Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010





CIUMES

Há quem confunda o amor com posse, e teimam que quem sente ciúmes é a forma de mostrar o amor que sentem, infelizmente essa certeza não passa de puro delírio, o amor não faz sofrer, não magoa, não cobra, o ser inteligente aprende com o próprio sofrimento a dar valor aos pequenos momentos, e são esses pequenos momentos que solidificam o amor, na troca, na partilha, no companheirismo, no respeito pela individualidade do outro, o ciúme  doentio vive nas personalidades frágeis. Shakespeare na sua obra o Mouro de Veneza conta a história de um homem –Otelo- que amava muito a sua esposa, mas convenceu-se da sua infidelidade e acaba por a matar, logo a seguir teve consciência da sua inocência, muitas pessoas tem o síndrome de Otelo, e alguns comportamentos passam por essa pessoa controlar  a pessoa amada desde  chamadas telefónicas, e-mails, ver bolsos, agendas, contas bancárias, cartões de credito, contratar detectives seguir a pessoa, implicar com as roupas que o outro escolhe, não gostar que essa pessoa tenha amizades até mesmo com a família ,enfim existem muitos exemplos , e essas mentes doentias acabam por minar as relações, pois quanto mais se quer agarrar mais depressa essas relações desgastadas vão sendo minadas e acabam, e no fundo esses seres  também sofrem pois nas suas mente são gerados conflitos inexistentes mas que quase os leva á loucura.


Poste e fotos-Luna

Quinta-feira, 16 de Setembro de 2010






Não sei o que é a vida
menos ainda o que seja a morte,
talvez sejam o tudo e o nada
gotas de luar ocultas ao pôr do sol,
Ou quem sabe
o orvalho brilhando como um pirilampo
e olvidado pela na manhã,
me diga quem sabe ,o é a vida…
labirinto enigmático
de vários pesos e medidas,
ou ervas daninhas ladeando o lago,
seco ,sepulcro dos dias arrastados
na berma do silêncio,
que é a morte…
que nos toca uma só vez
e sem misericórdia
corta o fio de prata
pêndulo entre o ser e não ser,
corpo inerte putrificando
deixando as memórias,
as verdades, vontades, caprichos,
amores, desamores,
estrumando a terra de ninguém,
diga-me quem sabe, pois eu não sei,
se ainda tenho alma,
pois sinto que não sou ninguém.

Poema e fotos- luna

Terça-feira, 14 de Setembro de 2010





Jardins proibidos, ou Éden  sonhado…
Dédalo intransponível pela via Láctea,
adestrados pensamentos, vem devagar,
entrando  na equivocada mente
sentindo os olhares baços seduzidos
pelos tapetes bordados de sustenidos,
linhas e pautas, que ninguém sabe ler.
Verdes  são os lagos de esperança,
jóias de luz  pintadas com pincéis de ilusão,
dedilhadas em aguarelas sem telas,
sílabas ditadas pelo canto do cisne
Onde mentes insanas
vão tombando como  torres de babel.

fotos e poema Luna

Sexta-feira, 10 de Setembro de 2010







Leve beijo triste…

são os ciclos da vida
um túnel escuro,
sem luz, mesmo á contra luz,
no crepúsculo das realidades
como terras movediças
na tumba sem sudário,
uns chamam-lhes de sonhos ,utopias,
o negar ou renegar a vibração
do tempo sem fim
que degola os sentimentos,
capelão , carrasco,satanás, trovador,
cavalo de esporas negras
que solto ao por do sol
se perde nos cantos,recantos,
embalando nossos destinos
anjos caídos, procurando sobreviver
no vale da memória


Poema e fotos- Luna

Quarta-feira, 8 de Setembro de 2010






Sei-me de cor
/////

 na esperança cansada
desta ternura que é viver,
 os poemas são como harpas escondidas
nas dunas, flores secas da memória
que guardam melodias incrustadas no coração,
Sei-me de cor
na existência  construída de seixos
empurrados para o horizonte da razão,
fecho os olhos aos vultos
que vagueiam no meu destino
sinto as energias vampirizadas
como um raio que derrubam o meu ser,
Mas… sei-me de cor
e  tudo passa, as névoas, ao raios de sol,
a vida tem vários sabores
e cada sabor tem uma resposta diferente
a ser escrita no livro da vida

Poema e fotos  Luna


Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010







FANTASMAS

///////


Pode até estar escuro
e a chama da vida tornar-se oculta,
mas deixa entrar a Luz,
pode o manto negro da dor
cobrir a tua alma
e as sombras do dia a dia
arrebataram a tua ténue força,
ainda assim deixa entrar a luz,
podes dizer que o escuro é medonho
e o cansaço da vida te amordaça
mas são só trémulos pensamentos
que intimidam a mente,
vê que para lá das nuvens
o sol continua a brilhar,
que pelas folhas densas de uma árvore
a luz pode penetrar
Nunca desistas da vida,
Não há nada pior do que estando vivos
 permanecermos mortos.
Por isso deixa entrar a Luz.

 Poema e fotos-Luna


Sexta-feira, 3 de Setembro de 2010

Namastê






Namastê = (Curvo-me perante ti ), cumprimento que invoca todo o respeito pelo outro Ser, encerra uma força pacificadora, traduz a percepção de que vimos no outro a mesma essência a energia pura e Divina que existe no Universo “ O Divino que habita em mim saúda o Divino que há em ti”, este cumprimento baseia-se em unir as palmas das mãos junto ao coração com os dedos voltados para cima, chamado Anjali Mudra pelos Budistas, sem palavras baixam a coluna em reverencia e quando se erguem é sempre mais devagar do que o outro, em sinal de respeito ao Divino que vive no universo ,os cinco dedos da mão esquerda representam os cinco sentidos do coração e os cinco dedos da mão direita os cinco órgãos da razão, demonstram a dualidade que unidas tendem a manter a harmonia.

Curvo-me perante o mar,
gotas de água , partículas Divinas
que habitam todos os Seres,
curvo-me perante o fogo e o ar,
a terra as nuvens, o sol o luar,
curvo-me perante as estrelas do céu e do mar,
as florestas, as flores que  ornam meu olhar,
curvo-me perante esta sinfonia de vida
que é o viver, caminhar, aprender  e morrer
Namastê

Poste e fotos-Luna