Fecharam-me as portas
Mas preciso entrar,
Já fiz o meu curso, já estudei,
Sou adulto quero trabalhar.
Os anos vão passando
Em sombra estou a tornar-me,
Vale-me a família
Para abrigar-me e alimentar-me.
Até pensei dedicar-me á pesca
Mas nem nisso a sorte sorriu
Enquanto apanhava mexilhão
A ASAE levou-me a cana e a sandes de leitão.
Pintei-me de branco
Já cansada de ganha-pão procurar,
Olhem para mim, sou estatua, à beira mar vou ficar,
Se assim querem não vou trabalhar.
Que Posso fazer nesta vida sem saída,
Estou rebelde já não me conheço,
Sinto-me no fosso, já não tenho crenças,
Corromperam-me os sonhos.
Tiraram-me o pão que podia ganhar,
Desmoronou-se a casa que podia comprar,
Roubaram-me a vida que podia viver,
Não aguento mais sinto-me enlouquecer
Poste e fotos -Luna

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28 comentários:
Olá Luna,
Imagens preciosas, autenticadas por um texto único e especial que transmite mensagens do quotidiano que se depara a muitas pessoas.
Abraço amigo,
J
A vida nem sempre é o que dela esperávamos; prontos para ser reis, coroados pelos reis por nós eleitos e acabamos despejados nas ortigas que nos empolam a Alma incapaz de conter lágrimas de vergonha!... Mas esquecemo-nos que apenas estamos onde devemos estar; não que devíamos estar mas, pelo menos, seria daí que deveríamos sair por mérito próprio e não por aceitação submissa de quem aceita ser subornado por achar que tem direito à riqueza dos ricos!... Como achado não é roubado, achar que pode sustentar-se um Rolls-Royce com esmolas sociais ou estrume de vaca, é um direito legítimo de quem foi habituado a interpretar as novas oportunidades de uma democracia vanguardista sem pés nem cabeça!... Há quem aceite o estrume, fertilize a horta, venda hortaliça na mercearia e acabe morrendo sem dívidas... deixando uma economia sustentada em plena expansão que a educação familiar, uma espécie de filosofia simplificada com base no trabalho e o peso do que pode carregar-se, garante como certeza da sua própria sobrevivência e sobrevivência da base social, sem que o detalhe comunitário seja posto em causa!... Nem as liberdades e garantias.
Se um político te oferecer algo, não desconfies; tem a certeza que está a enterrar a tua capacidade de resolveres os teus problemas, e fazer do ti um vadio com futuro assegurado!... Mas não te preocupes; no fim, simplesmente não pagues, porque não há lugar para ti nas cadeias!... No máximo, vais parar ao ponto de partida, por isso não te admires que sintas uma urticária invadir-te o corpo até fazer escorrer lágrimas dos olhos espremidos!... Foi tudo para as ortigas!
Escolha entre... beijos e abraços
(ps)- Sabendo que é bancária (aqui por casa também há alguém que o é, presumo que passou pelo BNU e é funcionária da CGD!... Claro que posso estar enganado;)
Portugal de hoje.....infelizmente..
Beijo
Minha querida Luna
O teu poema retrata a realidade actual.
Tiraram-me o pão que podia ganhar,
Desmoronou-se a casa que podia comprar,
Roubaram-me a vida que podia viver,
Não aguento mais sinto-me enlouquecer
Este poema fala pelos nossos jovens.
beijinhos
Sonhadora
Ao ler o teu texto senti um arrepio
enorme,a certeza de que,infelizmente estás certa!
E como dói...
Beijo.
isa.
Um post bem adaptado à realidade actual.
Onde as tuas magníficas fotos e as tuas palavras se integram e complementam muito bem.
Gostei muito, pois claro...
Beijos, querida amiga.
Texto esse dentro de uma realidade
beijooo.
Luna,podes ir ao meu blog?
Beijo.
isa.
Quem me leva os meus fantasmas
Pedro Abrunhosa
Aquele era o tempo
Em que as mãos se fechavam
E nas noites brilhantes as palavras voavam,
E eu via que o céu me nascia dos dedos
E a Ursa Maior eram ferros acesos.
Marinheiros perdidos em portos distantes,
Em bares escondidos,
Em sonhos gigantes.
E a cidade vazia,
Da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto.
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e´ a estrada
Aquele era o tempo
Em que as sombras se abriam,
Em que homens negavam
O que outros erguiam.
E eu bebia da vida em goles pequenos,
Tropeçava no riso, abraçava venenos.
De costas voltadas não se vê o futuro
Nem o rumo da bala
Nem a falha no muro.
E alguém me gritava
Com voz de profeta
Que o caminho se faz
Entre o alvo e a seta.
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e a estrada
De que serve ter o mapa
Se o fim está traçado,
De que serve a terra à vista
Se o barco está parado,
De que serve ter a chave
Se a porta está aberta,
De que servem as palavras
Se a casa está deserta?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
Quem me diz onde é a estrada?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me leva os meus fantasmas?
Quem me salva desta espada?
E me diz onde e a estrada
Sua postagem me fez lembrar desta música do Pedro.
Bjs.
É.
Não acho que trabalhar para a sobrevivência seja agradável.
É apenas necessário.
Podíamos viver como as 2 maravilhosas gatas que no caso parecem domésticas mas mesmo que não fossem, vivem e sobrevivem do acaso que sempre espera pelo instinto dos animais.
Lembrei de uma música do Chico Buarque: "Nós gatos já nascemos pobres, porém já nascemos livres.
Senhor, senhora e senhorio...Felinos não reconhecerão"
Doce Luna,
«Os anos vão passando
Em sombra estou a tornar-me,
Vale-me a família
Para abrigar-me e alimentar-me.»
...e quando a família partir?...Cada vez mais, as doenças psicológicas vão surgindo, por se adivinhar um futuro preto. Com o que vai estando à nossa volta, receia-se ser-se mãe e até avó.
Este é o País real. Infelizmente, o dia-a-dia está a acontecer desta forma.
Um poste muito belo e simultâneamente triste no seu conteúdo. Mas, quem está bem, nem sabe dar o valor ao que por aí existe e está a acontecer.
Não é possível escondermos esta realidade que se está vivendo.
Obrigada pela partilha, pela tua sensibilidade, pelo teu amor ao próximo.
Cada vez está mais fundo o fosso entre o rico e o pobre. A classe média está a desmoronar-se.
Forte abraço
Mer e família
Tiraram-me o pão que podia ganhar,
Desmoronou-se a casa que podia comprar,
Roubaram-me a vida que podia viver,
Não aguento mais sinto-me enlouquecer
Realidade pura, crua e já fria que nos vai gelando a alma.
Os nossos sonhos perdidos, o horizonte cada dia mais distante...
Beijinhos nascidos na esperança de um futuro melhor.
Pois é Luna,
Este é o país em que vivemos, e que tu retratastes tão bem, quer com fotos quer com palavras.
Bjinhos
Céci
*
vejo searas de joio
repisando o puro trigo
descolorindo felizes
as papoilas da desilusão,
vejo rostos parados no cais
de um povo cego de si
na esperança da chegada
d'outro D. Sebastião sem leme
feito embusteiro palrador
vendilhão de desencantos
a um país cheirando a mofo !!!
,
beijos nossos,
,
*
Hoje uma oração para os meus amigos:
Senhor, Olhai pelo meu amigo!
Que as pedras sejam removidas do seu caminho,
Que tenha forças para carregar seus fardos,
Que encontre coragem para resistir ao mal,
Que possa ver o amor em todos os seres,
Que seja abraçado pela lealdade,
Que encontre conforto e saúde se estiver doente,
Que seja próspero e saiba partilhar,
Que tenha paz cobrindo seu espírito,
Que sua mente obtenha os conhecimentos,
Que use sabedoria para aplicá-los,
Que saiba distinguir o Bem do mal,
Que tenha Fé para manter-se forte na dor.
SENHOR, Olhai pelo meu amigo!
Protegei cada passo que ele der,
Que a cada novo dia ele aceite o novo,
Que saiba alegremente comunicar novidade,
Que Vos sinta em todos os momentos
E que tenha o Vosso colo por toda a Eternidade!
Amém.
(desconheço autoria).
beijooo.
Vou ser escritor, pq em outras milhões de áreas, ninguém me quer...Snif...
Bjuxxxx
Amiga Luna!
"Eles levam tudo, eles levam tudo e não deixam nada"
Lembra-se???
Estamos numa sitaução bem semelhante em tudo.
Infelizmente tem tora a razão e todos os alertas são poucos.
Adorei as fotos e a a forma poética como deiise tam«ntas verdades.
Beijos
Ná
Ai miúda, ainda hoje voltei a passar a caminho da farmácia e está lá um moço que nem tem nada de engraçado, todo pintado de branco com chupa chupas, as pessoas deitam qualquer coisa na caixa e ele dá um, está sempre assim, imóvel, a cara tapada, mas porque tem de ser assim? Deus como dói pensar que talvez nem tenham familia, talvez nem um lar decente devem ter. ah, como dói imaginar...
Há uma moça também, nota-se que não é de cá, toca violino, e lá vão deixando uns euritos...que vidas Senhor!
Beijinhos minha querida e sendo assim, que felizes ficamos ao regressar a casa ao fim do dia, ao sentir que há aconchego mesmo que vivamos sós...
Um abraço apertadinho da laura
UM POST MUITO ILUSTRATIVO DAS DESGRAÇAS A QUE NOS REMETERAM...REDUZIRAM-NOS A ESCRAVOS ...LAMENTAVELMENTE!!!
BJS
Com humor e boa disposição retratas a realidade.
Boa continuação,
Beijo,
se a realidade fosse poesia
então no mundo não haveria
tanto sarcasmo,tanta ironia
tanta violência e selvageria
execlenteeeeeee, á melher!!!
quem é este meu de branco vestido...??????
o que eu ando a perder........
isto está muito complicado, na generalidade!
falaremos, minha querdia, em frente dos caracóis, os tais, e das bejecas, se ainda houver...
beijokinhas
sei lá quando!?!?!?!?!?!
Luna!
A vida também me deu esse tempero, por doença e idade. Ainda bem que escrevo, bem ou mal me distrai.
Bem retratada esta realidade que julgo absurda por ainda sermos ou termos capacidade.
Belo registro...como sempre!
Beijos
Mirze
Minha amiga Luna, um comentário meu:
Nado nas águas desse lodo, o tempo todo...
vale-me a força da vida
vale-me ser já "usada"
e a jovens estender a escada
conseguir ultrapassar a estrada
com a familia ternamente enlaçada
e ser mãe e filha
que anseia a mudança desta encruzilhada
umas vezes sorrindo...outras demasiado cansada!!!
Vou rolando na estrada...
e não consigo dizer mais nada...
Bom fim-de-semana
beijinho com carinho
A suave melodia e as tuas belas fotos permitem adocicar a triste realidade das tuas palavras.
Beijinhos
Verdinha
São assim os tempos que correm...
Bjs
Belas imagens que acompanham um texti a obrigar-nos a pensar.
Boa noite.
Luna
O teu texto dá para reflectir... esta é a triste realidade que vamos ter que enfrentar... e a música é linda, dá-me um arrepio ao ouvi-la, diz-me por favor o título dela!
Beijinhos
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