Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

A minha homenagem a tantos de nós

Olho o peso das nuvens

Entranhadas do denso ar

Assim estou eu, cansada de lutar.

Sinto-me um cão sem dono

Abandonada pela vida

Até água preciso mendigar

Cruz tão pesada

Que nos obrigam a carregar

Olho os campos de cravos

Um dia plantados numa espingarda

Hoje murcharam

Por não serem regados

Para mim, hoje ,Abril não passa de miragem

Perdi tudo, família, dignidade,

Por não poder trabalhar,

Abandonado de mim vivo num canto da rua

Com um plástico para me abrigar.

38 comentários:

poetaeusou . . . disse...

*
Luna
,
Abril povo
desejo esperado
a todo o momento
grito anunciado
nas asas do vento
anseio recalcado
avisado prenuncio
de um novo amanhã
,
beijos nossos
,
*

Léo disse...

Passa no meu Blog. Tem um mimo para tí.

Beijos.

MARTHA THORMAN VON MADERS disse...

Lindas imagens. Triste e belo poema.
beijos

Isa disse...

Fotos maravilhosas.
Quanto ao poema ele reflecte o desalento de grande parte de nós.
Beijo.
isa.

elvira carvalho disse...

As fotos são lindas.
O poema, é a verdade amarga que trazemos no peito
Um abraço

b disse...

Estou pondo como minhas as palavras da Elvira.
Na alma dói mais.

Anita disse...

Se algum dia tuas lágrimas esconderem teu sorriso, lembra-te que o sorriso mais lindo é aquele que brilha entre as lágrimas.

Um dia cheio de bençãos querida amiga.

Gostei imenso das fotos mas o poema é triste demais, embora belo.

Beijos no coração.
Fica bem. Fica com Deus.
Anita (amor fraternal)

Mentuhenhat disse...

Namasté, Luna...

Muito obrigado por mais este post maravilhoso que nos faz sonhar...
Cada foto e palavra esta excelente....
Continue a brilhar sempre assim...

O meu Abraço de Luz!

Ana disse...

Já me fizeste chorar Luna, com estas imagens e com as tuas fantásticas palavras.

Tento ser uma pessoa feliz, mas aqueles infelizes (pessoas e animais) que me rodeiam, por vezes tiram-me a alegria, ao ver a vida que levam.

Um dia a minha amiguinha Isabel, perdeu o porta-moedas com alguns documentos e dinheiro no parque de estacionamento de um hipermercado.
Ela tinha lá o contacto e ligaram-lhe, era uma voz com sotaque estrangeiro.
Pediu-me para ir com ela ao sítio que habitavam e lá fomos, e o que deparamos? Numa casa velha, e numa cozinha estavam alguns homens a comer uma sopa e um pão, sem mais nada. Mas tinham dentro de si uma coisa que hoje quase já não existe e que se chama “honestidade”, mesmo vivendo na pobreza. Ela decidiu deixar todo o dinheiro que tinha no porta-moedas. O homem não queria aceitar e ao recebê-lo chorou.

Estamos num País em que alguns vivem num luxo desmedido, e outros numa pobreza encoberta.

Eu que criei tantas expectativas com a Revolução dos Cravos, que tive um Pai que adorava, vítima do regime fascista, detido injustamente no final dos anos cinquenta, que antes de falecer em 1974 (doença prolongada) ainda sentiu alegria com aquela dita “Revolução”!

Enfim… temos que nos unir e lutar contra a miséria que está instalada no nosso País, fruto dos crânios sucessivos que não souberam governar e tornar este belo País num lugar onde todos pudessem ter os mesmos direitos, e as mesmas condições de vida.

Bem hajas amiga!!!

Um grande beijinho,
Ana Paula

Mirse disse...

"Olho o peso das nuvens, entranhadas do denso ar. Assim estou eu, cansada de lutar"

Lindo, Luna! Todo o poema impregnado pelas imagens e à memória do mes de abril, está maravilhoso.

Grande poetisa e fotógrafa, deixo aqui minha solidariedade, e meu apoio.

Estamos todos nessa mesma estrada.

O importante é continuar lutando.

Parabéns!!!!

Beijos

Mirse

JC disse...

Abril trouxe-nos essencialmente liberdade. Liberdade de expressão, até reprimida pela censura.
Abriu-nos nova fronteiras e novas mentes.
Trouxe-nos liberdade. Liberdade com responsabilidade. Nem sempre a liberdade assim é entendida, mas é esta a minha forma de a ver e de a sentir.
Beijinhos

Eduardo Aleixo disse...

25 de Abril no nosso coração, é o que desejo.

utopia das palavras disse...

É uma realidade, porque lhes tiraram Abril.
Roubam-lhes Abril todos os dias!

Um post que adorei (muito)!

Um cravo para ti, Luna
Beijo

rosa dourada/ondina azul disse...

Belo Poema,
com alguma tristeza...

O que fizeram de Abril?


Um beijo para ti,

Vanda Mª Madail Rafeiro disse...

Lindo e triste poema... muito cheio de verdade.
Belas imagens.
Parabéns. Gostei muito

Poetíssima disse...

Eu gostei disso.

Maria Faia disse...

Lendo-te dica-nos um nó na garganta pela verdade das tuas palavras.
Sombras, desemprego, gritos de desespero por um presente e futuro comprometidos, tudo... tudo isso nos corrói a alma e desejar um renovado Abril.

Abraço amigo e solidário,

Maria Faia

Gleidston dias disse...

Profunda reflexao,com algum momento de menlancolia, mas belo texto,parabens!

otimo fim de semana.

bjcss

Isabel José António disse...

Querida Amiga Luna,

Lindíssimo poema cheio de sentimento puro e triste.

Antes e depois do 25 de Abril o que faltou, falta e continuará a faltar é pôr-se em prática a ÉTICA.

Não havendo ética, o que mudam são as condições conjunturais para que a ética não seja osta em prática.

Não desanime.

Vê o sorriso que enviamos
Neste poema repleto de luz
Contigo somos e sempre estamos
Buscando o eterno que reluz


Olha à tua volta e repara
A vida sempre a se contruir
Floresce sempre e nunca pára
Mesmo que seja só a intuir

Não é este o tempo da tristeza
Que ajuda a nos corroer a Vida
È tempo de construir a beleza
Que oferece à Alma a joia querida

Tens aqui a nossa mão. Anda voar
Por sobre azul do mar sem fim
Se faltar alguém iremos sempre amar
E espelharemos a alegria outrossim

Um grande abraço nosso e parabéns

Isabel e José António

Ailime disse...

Oh, Luna!
"Esta é a madrugada que eu esperava"!
Sim, neste teu lindo poema carregado de emoção e alguma nostalgia, deixo-te um beijinho de esperança!

P.S. Grata pela visita ao Canto_Meu.

Papoila disse...

Há sempre a esperança de ter Abril de Novo.
Um Beijo de Abril para ti LUNA

BF

MEU DOCE AMOR disse...

Já estivémos muito mal, embora estejamos também...e D.Nuno não baixou a espada!!!!

Beijinho doce

http://projectoamizade.blogspot.com/

neide disse...

Lindo texto... Triste, mas lindo.

Bjss Luna, ótimo final de semana.

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana

Meus votos de um excelente final de semana, junto
às pessoas que ama.
Um abraço do amigo

Eduardo Poisl

tossan disse...

É o mes de abril! Portugueses sentem, só eles sentem a verdade, só eles. Eu também, por eles! Beijos

Carminda Pinho disse...

Abril foi, e ainda é Liberdade (salvo algumas excepções), o resto são más políticas. Mas como o voto é a arma do povo...
:)
Beijinho, Luna.

Justine disse...

Força, esperança e luta, talvez os ingredientes para mudar as coisas!
Vamos lá substituir o teu poema pungente por um cintilante de força:))Hoje, porque é o dia que ninguém destroi!

Paulo - Intemporal disse...

__________________________________

vinte e cinco de abril de dois mil e nove
__________________________________

e porque são sei dizer melhor e se soubesse não saberia dizer assim, digo que,

"Há uma Justiça para ricos e outra para pobres, uma Justiça para famosos e outra para anónimos, como há Saúde e Educação diferentes para ricos e pobres. Cumprir Abril é uma questão de justiça. Já não podemos esperar mais 35 anos".

Paulo Baldaia

______________ para reflexão [...]

Marco Sistinne disse...

Olá Multiolhares, obrigado pelo seu comentário em minhas páginas.
Talvez você não se recorde de mim, já fui a maneira de Pessoa
(mas jamais, nunca comparável),Miorinni (agora Sistinne),
ex-JanelaseTravessias, ex-PorentreLetras,ex-Oficina
pois a mudança move o imaginário; fiquei muito contente com sua visita,
é um prazer revê-la, mesmo com o pouco tempo hábil que estivemos em contato.

"A mudança de costumes é o único meio de que dispomos para nos mantermos
vivos e rejuvenescermos. É esse o objectivo da mudança de ares e do lugar da viagem de recreio".

Thomas Mann

abraços literários
Marco (simplesmente)

Sol da meia noite disse...

Triste realidade, de um abril por acontecer.

Um beijinho *
Um bom fim de semana :-)

Mariazita disse...

Obrigada, querida Luna. A Anita ficaria feliz se pudesse ouvir-te; ela que tanto amou, um amor proibido à face da lei dos homens, mas aprovado por Deus.
Deus não pode deixar de aprovar sempre o Amor.

Eu costumo dizer que, se por mais não fosse, pelo menos pela eliminação de presos políticos, o 25 de Abril já teria valido a pena.
Conheci e sou amiga de alguns, sei do que falo.
O que depois se fez com a Liberdade...já é outra conversa.
Que foi e continua a ser muito maltratada, não há qualquer dúvida.
Mas também não deixa de ser verdade que estamos melhor do que estávamos.
Obrigada, amiga pelos teus comentários.

Um bom fim de semana.

Beijinhos
Mariazita

PS - AS TUAS FOTOS SÃO LINDAS, COMO SEMPRE. O POEMA DUMA CRUEZA TÃO VERDADEIRA QUE DÓI, RETRATA O SENTIR DE MUITOS ENTRE NÓS. PARABÉNS.

ADiniz disse...

Como diz Pedro Abrunhosa,
"...para que serve as palavras se a casa esta deserta...",
Casa essa que aqui não vejo,
pois tem povo, esse tem memória,
que sabe muito bem que foram os fantasmas e que Abril em grito a porta, sim fechada.

Queirda Luna, Parabéns, parabéns,
para bens históricos.
Bjs com carinho. Ana

Léo disse...

Quanta indignação nas palavras.
Espero que haja esperança para essa alma jaz condenada e desesperada.

Tuas palavras me causou desespero de tão tenebrosas.

Excelente execução de poema.

Direto do Brasil.
Um abraço.

Marisa Caetano disse...

Um belo conjunto de fotos e palavras :)

preto [e] branco disse...

Cada Dia que nasce é um dia com esperança de ouvir palavras de, agrado e mudanças. O 25 de Abril não deixa de ser uma data a celebrar e a recordar embora, seja um celebrar diferente, pelo menos, a vivência, há 35 anos atrás. Diferente...muito Diferente.

Uma Data que, com as tuas palavras, celebras com um poema.

bj...nho

lua prateada disse...

Lindas fotos Luna, palavras tão tristes mas tão verídicas...
Passando para dizer :Vive de maneira a poderes aprender a amar,
ama de maneira a poderes aprender a viver.
Não necessitas de nenhuma outra lição...
E como o FDS está aí então que seja ele para expandires teu coraçao.
Beijinho prateado

SOL

Cristiane Marino disse...

Lindas fotos e poema maravilhoso, triste mas, de uma mensagem profundamente verdadeira!!!

bjokas

RETIRO do ÉDEN disse...

Luna,
Subscrevo
Mer